sexta-feira, 28 de abril de 2023

Humildes Rimas ao Profeta de Deus

 

Abraão ouviu dos Céus:

“Pode as estrelas contar?”

Incapaz foi de tal feito

Tais muitas para o olhar

E daí veio a promessa

De que iriam se espalhar

 

Suas sementes futuras

Tais os astros brilharão

Milhões, duas as nações

De Ismael e de seu irmão

E que viver no deserto

Lar de peregrinação

 

Seria o nato destino

Daquela, que nos traria

Bem o Selo dos Profetas

A nossa grande alegria

Mensageiro Final que

Em Abedulá luzia

 

De Meca era Mohammed

E foi no Ano do Elefante

Que ao mundo abriu os olhos

Viria ser viajante

Também honesto e gentil

Uma bondade pujante

 

Porém antes foi criança

Que nasceu já sem o pai

Abedulá, Deus esteja

satisfeito, ora exultai

Amina foi sua mãe

O seu amor, o contemplai

 

Ela seguiu os costumes

De seu filho se afastou

Ao deserto ele foi

Com beduínos morou

E sua ama era Halimah

Que também muito o amou

 

E dos ermos veio força

Chispa de fé e esperança

Já que com sua presença

Surgia certa bonança

Rebanho com fartos úberes

Cercavam essa criança

 

E depois que retornou

Com sua mãe foi feliz

Antes que ela também fosse

Para lá onde Deus quis

Orfão de pai e de mãe estava

Mas não sem força motriz

 

E seu tio homem de brilho

O criou como um dos filhos

E seu renome tribal

Livraria de empecilhos

Piedoso Abu Talibe

Guardião contra caudilhos

 

Com seu tio foi lidar

Abu Talibe viajeiro

Numa de suas andanças

Bem em busca de dinheiro

Que Mohammed encontrou

Bahira, monge certeiro

 

Que em suas mãos possuía

Antigos textos cristãos

Que de antes já previam

Aos árabes, bênçãos!

Um mensageiro por vir

Que venceria os pagãos

 

Pois desde sempre no peito

Mohammed tinha certeza

Que nos Altos Céus não havia

Mais que apenas Uma Alteza

Só Deus, o Mestre Uno e Único

Puro Fato e Fortaleza

 

Já crescido e conhecido

Recebeu bela proposta

Com Khadijah se casar

Tipo de mulher que gosta

Desse caráter honesto

Que tudo mais sobreposta

 

Aceitou, casado estava

E assim viveu sua vida

Até os seus quarenta anos

Uma visão então convida

À caverna, meditar

Maior honra já vivida

 

“Recita! Recita!”, o quê?

Mas ele não sabe ler

Que voz essa? De onde vinha?

Que acabou de acontecer?

“Em nome de teu Senhor!”

O milagre a descender

 

Alegria o arrebatou

Para Khadijah correu:

“Ah! Grande e incrível momento!”

“Mas que foi que aconteceu?”

"Vi um anjo que me dizia,

que o novo Profeta sou eu."

 

A Santa Revelação

Chegou para a humanidade

Confirmando o que veio antes

Findando à inverdade

Alcorão Sagrado, amém!

Mais pura felicidade

 

Não sabemos como Deus

Seleciona um Profeta

Mas o certo é que o nosso

Já boa essência projeta

Verídico e confiável

E que amizades, coleta

 

Era até dentre os incrédulos

Conhecido por bondade

Nunca contou uma mentira

Sempre mostrou piedade

Um grande homem de clemência

Completo de santidade

 

Não vamos nos esquecendo

De também analisar

Habilidade política

Que lhe viria a calhar

O impasse da Pedra Negra

Ele que pode sanar

 

Cada clã desejava a honra

De encaixar a Pedra Negra

E antes que gerasse briga

Mohammed propôs a regra

“Coloquem-na todos juntos,

com tecido ergam a pedra.”

 

Em cada canto do pano

Figurava agora um clã

E juntos com Mohammed

Ergueram a pedra sã

Foi encaixada na Kaabah

Bento santuário do Islã

 

Voltando a revelação

Era chegado o momento

Pregar aos Quraysh

Que grande acontecimento

Sabia que havia risco

Porém não tal sofrimento

 

Muçulmanos havia

Ele e sua Khadijah

E menino Ali, e Jafar

Abu Dharr, vá regozija!

Tal o exemplo do Profeta

Mais ao Verbo dirija

 

Alguns da própria família

Não iriam acreditar

"O Mohammed se enganou,

não vamos ouvir falar"

Era só breve início

De conflito a se alastrar

 

Perseguição começou

Muçulmanos ao exílio

Longe de tortura e morte

Foram atrás de um concílio

Junto ao rei de Abissínia

Lá pediram por seu auxílio

 

Profeta em Meca ficou

Sob proteção de seu tio

E pragas foram lançadas

E também ofertas mil

Para acabar com o Islã

A paz ficou por um fio

 

Foram os exilados

Liderados por Jafar

Mas Mohammed que indicou

Quem deviam procurar

"Najashi, rei que acredita,

ele vai os abrigar"

 

Mas acreditava o rei

É na antiga fé cristã

Só aceitou protegê-los

Depois de ouvir sobre o Islã

E recitado o Alcorão

Foi assegurado o amanhã

 

Lágrimas o rei chorou!

Vieram por que sabia

Que essa Fonte do Alcorão

Era a que já conhecia

A mesma que trouxe Cristo

A que abençoou Maria

 

A revelação é séria

E veio para acabar

Com a falsa idolatria

Às origens retornar

Muitos não queriam

Gostavam de se enganar

 

Pois "não há deus a não ser Allah"

Essa vem sempre primeiro

Ora não há nada como Ele

Certo que não tem herdeiro

E Jesus Cristo, o Messias

Era apenas mensageiro

 

Antes de continuarmos

Houve o mau Ano da Tristeza

Que Khadijah e Abu Talibe

Se foram numa surpresa

Deus esteja satisfeito

Eram almas de nobreza

 

Com nova religião

Havia nova mania:

Os escravos libertar!

Assim pecados expia

Aos maus era demais

Tal outro poder surgia

 

Sem Abu Talibe por perto

Mohammed teve que sair

Ao norte noite adentro

Sua missão prosseguir

Só ele e seu companheiro

“Deus irá nos dirigir”

 

Os assassinos em Meca

A Mohammed procurar

Encontraram foi o Ali

Em seu leito a cochilar

"Não queriam que se fosse?

Pois já não irão o encontrar."

 

Yathrib, agora Medina

Foi lá que se instalaram

Amigos logo foram

Alguns atrás ficaram

Migrantes e Valedores

E assim recomeçaram

 

Nesse ponto já eram

Muçulmanos numerosos

Ora ainda cresceriam

Centenas de fervorosos

Unidos contra a opressão

E a grande ira dos maldosos

 

Havia alguns judeus

E quando o Alcorão ouviam

Sabiam ser a verdade

Logo se submetiam

Para essa nova mensagem

Outros conspirariam

 

E também houve os hipócritas

Que não saíram do engano

E fingindo crer no Islã

Fingindo ser muçulmanos

Com testemunhos vazios

Duros corações profanos

 

Seus jeitos, suas condutas

Lá eram coisas obscuras

Com alianças secretas

Sempre fingindo branduras

Porém Deus sempre conhece

De certo toda a figura

 

Aliaram-se em segredo

Com inimigos mecanos

E planejariam contra

Os valentes muçulmanos

Com pensamentos de sangue

Crescentes ódios insanos

 

E ordem de guerra quem deu

Foi a própria Revelação

"Lute até que não haja mais

nenhuma perseguição"

A Qiblah agora é Meca

Já para Badr marcharão

 

A guerra é defensiva

E lutada com bravura

Pois mal tinham eles armas

Ainda nessa conjuntura

É histórica passagem

Que contra o tempo perdura

 

Eram trezentos de Deus

Contra mil ludibriados

Uma grande diferença!

Mas seriam ajudados

Pelos mil anjos guerreiros

Poderosos aliados!

 

Presenças que deram força

Aos corações dos crentes

E aos incrédulos, medo

Terror no corpo, na mente

Muçulmanos venceram

Islã seguiria em frente

 

Essa história detém mais

que podemos contar

Não esqueça os heróis de Badr

Que tiveram que lutar

Com pais e filhos opostos

Deus os vai recompensar

 

Outras lutas viriam

Lá em Badr vitoriosos

Já em Uhud, mas que susto!

Deixou todos pesarosos

Mohammed se feriu

Vários testes gloriosos

 

A tragédia de Uhud houve

Lá por conta dos arqueiros

Saíram dos postos. Veio

ataque de cavaleiros

Desobediência grave

Das ordens do mensageiro

 

E desta parte da história

A lição que fica é:

Mantenham-se sempre firmes

E não brinquem com a fé

Acatem ao divino

Assim como fez Noé

 

Os mártires lá caíram

Mohammed sempre os honrou

Até os últimos dias

Memória nunca os deixou

Benditos sejam os mortos

Lutaram e Deus levou

 

Pois houve guerra também

Contra os falsos de Medina

Logo os puniu e venceu

Deles todos foi essa sina

Nosso Deus trouxe aos bons

Vitória tal paulatina

 

Não era apenas general

Nosso Profeta de Deus

Era também generoso

Amava todos os seus

Caridoso com os pobres

Difícil de dar adeus

 

Dizia haver recompensas

Bem se bondade mostrassem

Aos animais da Terra

E que nunca os maltratassem

Todos eles são almas vivas

É melhor que cuidassem

 

Quando perto das crianças

Um brilhante coração

E nos jogos infantis

Já estava de antemão

Melhor dos homens ele era

O líder da multidão

 

Já depois de Khadijah

Ele casou novamente

Teve pois outras esposas

As chamadas “Mães dos Crentes”

Elas, tratou sempre bem

E sempre as deixou contentes

 

E dentre seus filhos homens

Nenhum chegou a ser adulto

Já de filhas houve Fátima

E não é nenhum insulto

Dizer que foi das mulheres

Grande exemplo nobre e culto

 

E a linhagem do Profeta

Vinda de Fátima az-Zahra

Entraria para a história

Em grandeza forte e clara

Ahl al-Kisa e Ahl al-Bayt

Verdadeiras joias raras

 

Porém a glória e o martírio

Que viriam no futuro

Fazem parte de outro conto

Não sejamos prematuros

Focaremos no Profeta

O que venceu o mundo impuro

 

Mas onde vai a nossa história

Senão aonde começou,

Purificar a Kaabah

Como Bom Deus comandou

Primeiro foram em paz

Na romagem que acordou

 

Depois de meses passados

E ruptura no armistício

Já era que chegada a hora

É tempo, sem desperdício

De libertar a Kaabah

Agora que era propício

 

A bela Kaabah abraâmica

Erguida em sagrado solo

Abençoada por Deus

Hagar e bebê de colo

Lá que teriam refúgio

Fonte d’água no subsolo

 

Com águas abençoadas

Fonte chamada Zamzam

Seria então retomada

A bela Qiblah do Islã

Nosso lugar mais sagrado

Tal al-Masjid al-Haram

 

Era a estratégia perfeita

Ataque bem calculado

Logo o Profeta vencia

Não havia outro resultado

E sob domínio de Deus

de novo o solo sagrado

 

E um por um os ditos ídolos

Deles, pagãos iludidos

Logo foram destruídos

Pelo Profeta escolhido

Falsidades ao chão

Apenas por ter lhe ouvido

 

E pois foi assim a conquista

Da cidade antes perdida

Com o Alcorão já completo

Missão cedida cumprida

Depois de nova romagem

Haveria a despedida

 

Foi em Ghadir que aconteceu

Grande pronunciamento

Documentado para eras

Impossível esquecimento

Mohammed nomeou Ali

Seu sucessor, que momento!

 

"E de quem eu for seu líder,

Ali é seu líder", disse

Foi ouvido por cem mil crentes

Sem cisão que conferisse

Dúvida ao decretado

E ninguém o contradisse

 

E a salvação só viria

Com apego ao Alcorão

E apego aos Ahl al-Bayt

Pois até ressurreição

Doze Imams haveria

Liderando esta nação

 

Valente Ali, o primeiro,

Hassan e Hussein, caros netos

Sajjad, Al-Baquir, Sadiq

Kadhim, Al-Redha, os seletos

Al-Taqi, Al-Naqi e Askari

Al-Mahdi no fim concreto

 

E na última passagem

Que do Alcorão revelada

Deus diz que a religião

Estava aperfeiçoada

"Então que a não ser a Mim,

vocês não temam mais nada."

 

E logo um tempo depois

O Profeta adoeceu

Já sabia que era o fim

Pois ele mesmo escolheu

Deixar atrás nossa Terra

Para encontrar nosso Deus

 

Sua passagem mudou

A trama da humanidade

E dentro de todos nós

Deixou muita saudade

O Selo dos Mensageiros

Que nos fixou a verdade

 

Tem ainda mais nessa história

Que poderíamos dizer

Que o Santo Deus nos perdoe

Pois não pudemos trazer

É uma curta homenagem

Nunca vamos esquecer

 

Já que somos nós herdeiros

De grande benfeitoria

Só resta sermos altivos

Vivermos com alegria

Nosso presente divino

É o Alcorão da harmonia

 

É sem erros ou embaraços

Tal a perfeição do Islã

Pois obrigado meu Deus

Por todas nossas manhãs

Bom Profeta Mohammed

Salalahu Alaihe Wa Ahi Baitehi Wa Salam

 

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