Abraão ouviu dos Céus:
“Pode as estrelas contar?”
Incapaz foi de tal feito
Tais muitas para o olhar
E daí veio a promessa
De que iriam se espalhar
Suas sementes futuras
Tais os astros brilharão
Milhões, duas as nações
De Ismael e de seu irmão
E que viver no deserto
Lar de peregrinação
Seria o nato destino
Daquela, que nos traria
Bem o Selo dos Profetas
A nossa grande alegria
Mensageiro Final que
Em Abedulá luzia
De Meca era Mohammed
E foi no Ano do Elefante
Que ao mundo abriu os olhos
Viria ser viajante
Também honesto e gentil
Uma bondade pujante
Porém antes foi criança
Que nasceu já sem o pai
Abedulá, Deus esteja
satisfeito, ora exultai
Amina foi sua mãe
O seu amor, o contemplai
Ela seguiu os costumes
De seu filho se afastou
Ao deserto ele foi
Com beduínos morou
E sua ama era Halimah
Que também muito o amou
E dos ermos veio força
Chispa de fé e esperança
Já que com sua presença
Surgia certa bonança
Rebanho com fartos úberes
Cercavam essa criança
E depois que retornou
Com sua mãe foi feliz
Antes que ela também fosse
Para lá onde Deus quis
Orfão de pai e de mãe estava
Mas não sem força motriz
E seu tio homem de brilho
O criou como um dos filhos
E seu renome tribal
Livraria de empecilhos
Piedoso Abu Talibe
Guardião contra caudilhos
Com seu tio foi lidar
Abu Talibe viajeiro
Numa de suas andanças
Bem em busca de dinheiro
Que Mohammed encontrou
Bahira, monge certeiro
Que em suas mãos possuía
Antigos textos cristãos
Que de antes já previam
Aos árabes, bênçãos!
Um mensageiro por vir
Que venceria os pagãos
Pois desde sempre no peito
Mohammed tinha certeza
Que nos Altos Céus não havia
Mais que apenas Uma Alteza
Só Deus, o Mestre Uno e Único
Puro Fato e Fortaleza
Já crescido e conhecido
Recebeu bela proposta
Com Khadijah se casar
Tipo de mulher que gosta
Desse caráter honesto
Que tudo mais sobreposta
Aceitou, casado estava
E assim viveu sua vida
Até os seus quarenta anos
Uma visão então convida
À caverna, meditar
Maior honra já vivida
“Recita! Recita!”, o quê?
Mas ele não sabe ler
Que voz essa? De onde vinha?
Que acabou de acontecer?
“Em nome de teu Senhor!”
O milagre a descender
Alegria o arrebatou
Para Khadijah correu:
“Ah! Grande e incrível momento!”
“Mas que foi que aconteceu?”
"Vi um anjo que me dizia,
que o novo Profeta sou eu."
A Santa Revelação
Chegou para a humanidade
Confirmando o que veio antes
Findando à inverdade
Alcorão Sagrado, amém!
Mais pura felicidade
Não sabemos como Deus
Seleciona um Profeta
Mas o certo é que o nosso
Já boa essência projeta
Verídico e confiável
E que amizades, coleta
Era até dentre os incrédulos
Conhecido por bondade
Nunca contou uma mentira
Sempre mostrou piedade
Um grande homem de clemência
Completo de santidade
Não vamos nos esquecendo
De também analisar
Habilidade política
Que lhe viria a calhar
O impasse da Pedra Negra
Ele que pode sanar
Cada clã desejava a honra
De encaixar a Pedra Negra
E antes que gerasse briga
Mohammed propôs a regra
“Coloquem-na todos juntos,
com tecido ergam a pedra.”
Em cada canto do pano
Figurava agora um clã
E juntos com Mohammed
Ergueram a pedra sã
Foi encaixada na Kaabah
Bento santuário do Islã
Voltando a revelação
Era chegado o momento
Pregar aos Quraysh
Que grande acontecimento
Sabia que havia risco
Porém não tal sofrimento
Muçulmanos havia
Ele e sua Khadijah
E menino Ali, e Jafar
Abu Dharr, vá regozija!
Tal o exemplo do Profeta
Mais ao Verbo dirija
Alguns da própria família
Não iriam acreditar
"O Mohammed se enganou,
não vamos ouvir falar"
Era só breve início
De conflito a se alastrar
Perseguição começou
Muçulmanos ao exílio
Longe de tortura e morte
Foram atrás de um concílio
Junto ao rei de Abissínia
Lá pediram por seu auxílio
Profeta em Meca ficou
Sob proteção de seu tio
E pragas foram lançadas
E também ofertas mil
Para acabar com o Islã
A paz ficou por um fio
Foram os exilados
Liderados por Jafar
Mas Mohammed que indicou
Quem deviam procurar
"Najashi, rei que acredita,
ele vai os abrigar"
Mas acreditava o rei
É na antiga fé cristã
Só aceitou protegê-los
Depois de ouvir sobre o Islã
E recitado o Alcorão
Foi assegurado o amanhã
Lágrimas o rei chorou!
Vieram por que sabia
Que essa Fonte do Alcorão
Era a que já conhecia
A mesma que trouxe Cristo
A que abençoou Maria
A revelação é séria
E veio para acabar
Com a falsa idolatria
Às origens retornar
Muitos não queriam
Gostavam de se enganar
Pois "não há deus a não ser Allah"
Essa vem sempre primeiro
Ora não há nada como Ele
Certo que não tem herdeiro
E Jesus Cristo, o Messias
Era apenas mensageiro
Antes de continuarmos
Houve o mau Ano da Tristeza
Que Khadijah e Abu Talibe
Se foram numa surpresa
Deus esteja satisfeito
Eram almas de nobreza
Com nova religião
Havia nova mania:
Os escravos libertar!
Assim pecados expia
Aos maus era demais
Tal outro poder surgia
Sem Abu Talibe por perto
Mohammed teve que sair
Ao norte noite adentro
Sua missão prosseguir
Só ele e seu companheiro
“Deus irá nos dirigir”
Os assassinos em Meca
A Mohammed procurar
Encontraram foi o Ali
Em seu leito a cochilar
"Não queriam que se fosse?
Pois já não irão o encontrar."
Yathrib, agora Medina
Foi lá que se instalaram
Amigos logo foram
Alguns atrás ficaram
Migrantes e Valedores
E assim recomeçaram
Nesse ponto já eram
Muçulmanos numerosos
Ora ainda cresceriam
Centenas de fervorosos
Unidos contra a opressão
E a grande ira dos maldosos
Havia alguns judeus
E quando o Alcorão ouviam
Sabiam ser a verdade
Logo se submetiam
Para essa nova mensagem
Outros conspirariam
E também houve os hipócritas
Que não saíram do engano
E fingindo crer no Islã
Fingindo ser muçulmanos
Com testemunhos vazios
Duros corações profanos
Seus jeitos, suas condutas
Lá eram coisas obscuras
Com alianças secretas
Sempre fingindo branduras
Porém Deus sempre conhece
De certo toda a figura
Aliaram-se em segredo
Com inimigos mecanos
E planejariam contra
Os valentes muçulmanos
Com pensamentos de sangue
Crescentes ódios insanos
E ordem de guerra quem deu
Foi a própria Revelação
"Lute até que não haja mais
nenhuma perseguição"
A Qiblah agora é Meca
Já para Badr marcharão
A guerra é defensiva
E lutada com bravura
Pois mal tinham eles armas
Ainda nessa conjuntura
É histórica passagem
Que contra o tempo perdura
Eram trezentos de Deus
Contra mil ludibriados
Uma grande diferença!
Mas seriam ajudados
Pelos mil anjos guerreiros
Poderosos aliados!
Presenças que deram força
Aos corações dos crentes
E aos incrédulos, medo
Terror no corpo, na mente
Muçulmanos venceram
Islã seguiria em frente
Essa história detém mais
que podemos contar
Não esqueça os heróis de Badr
Que tiveram que lutar
Com pais e filhos opostos
Deus os vai recompensar
Outras lutas viriam
Lá em Badr vitoriosos
Já em Uhud, mas que susto!
Deixou todos pesarosos
Mohammed se feriu
Vários testes gloriosos
A tragédia de Uhud houve
Lá por conta dos arqueiros
Saíram dos postos. Veio
ataque de cavaleiros
Desobediência grave
Das ordens do mensageiro
E desta parte da história
A lição que fica é:
Mantenham-se sempre firmes
E não brinquem com a fé
Acatem ao divino
Assim como fez Noé
Os mártires lá caíram
Mohammed sempre os honrou
Até os últimos dias
Memória nunca os deixou
Benditos sejam os mortos
Lutaram e Deus levou
Pois houve guerra também
Contra os falsos de Medina
Logo os puniu e venceu
Deles todos foi essa sina
Nosso Deus trouxe aos bons
Vitória tal paulatina
Não era apenas general
Nosso Profeta de Deus
Era também generoso
Amava todos os seus
Caridoso com os pobres
Difícil de dar adeus
Dizia haver recompensas
Bem se bondade mostrassem
Aos animais da Terra
E que nunca os maltratassem
Todos eles são almas vivas
É melhor que cuidassem
Quando perto das crianças
Um brilhante coração
E nos jogos infantis
Já estava de antemão
Melhor dos homens ele era
O líder da multidão
Já depois de Khadijah
Ele casou novamente
Teve pois outras esposas
As chamadas “Mães dos Crentes”
Elas, tratou sempre bem
E sempre as deixou contentes
E dentre seus filhos homens
Nenhum chegou a ser adulto
Já de filhas houve Fátima
E não é nenhum insulto
Dizer que foi das mulheres
Grande exemplo nobre e culto
E a linhagem do Profeta
Vinda de Fátima az-Zahra
Entraria para a história
Em grandeza forte e clara
Ahl al-Kisa e Ahl al-Bayt
Verdadeiras joias raras
Porém a glória e o martírio
Que viriam no futuro
Fazem parte de outro conto
Não sejamos prematuros
Focaremos no Profeta
O que venceu o mundo impuro
Mas onde vai a nossa história
Senão aonde começou,
Purificar a Kaabah
Como Bom Deus comandou
Primeiro foram em paz
Na romagem que acordou
Depois de meses passados
E ruptura no armistício
Já era que chegada a hora
É tempo, sem desperdício
De libertar a Kaabah
Agora que era propício
A bela Kaabah abraâmica
Erguida em sagrado solo
Abençoada por Deus
Hagar e bebê de colo
Lá que teriam refúgio
Fonte d’água no subsolo
Com águas abençoadas
Fonte chamada Zamzam
Seria então retomada
A bela Qiblah do Islã
Nosso lugar mais sagrado
Tal al-Masjid al-Haram
Era a estratégia perfeita
Ataque bem calculado
Logo o Profeta vencia
Não havia outro resultado
E sob domínio de Deus
de novo o solo sagrado
E um por um os ditos ídolos
Deles, pagãos iludidos
Logo foram destruídos
Pelo Profeta escolhido
Falsidades ao chão
Apenas por ter lhe ouvido
E pois foi assim a conquista
Da cidade antes perdida
Com o Alcorão já completo
Missão cedida cumprida
Depois de nova romagem
Haveria a despedida
Foi em Ghadir que aconteceu
Grande pronunciamento
Documentado para eras
Impossível esquecimento
Mohammed nomeou Ali
Seu sucessor, que momento!
"E de quem eu for seu líder,
Ali é seu líder", disse
Foi ouvido por cem mil crentes
Sem cisão que conferisse
Dúvida ao decretado
E ninguém o contradisse
E a salvação só viria
Com apego ao Alcorão
E apego aos Ahl al-Bayt
Pois até ressurreição
Doze Imams haveria
Liderando esta nação
Valente Ali, o primeiro,
Hassan e Hussein, caros netos
Sajjad, Al-Baquir, Sadiq
Kadhim, Al-Redha, os seletos
Al-Taqi, Al-Naqi e Askari
Al-Mahdi no fim concreto
E na última passagem
Que do Alcorão revelada
Deus diz que a religião
Estava aperfeiçoada
"Então que a não ser a Mim,
vocês não temam mais nada."
E logo um tempo depois
O Profeta adoeceu
Já sabia que era o fim
Pois ele mesmo escolheu
Deixar atrás nossa Terra
Para encontrar nosso Deus
Sua passagem mudou
A trama da humanidade
E dentro de todos nós
Deixou muita saudade
O Selo dos Mensageiros
Que nos fixou a verdade
Tem ainda mais nessa história
Que poderíamos dizer
Que o Santo Deus nos perdoe
Pois não pudemos trazer
É uma curta homenagem
Nunca vamos esquecer
Já que somos nós herdeiros
De grande benfeitoria
Só resta sermos altivos
Vivermos com alegria
Nosso presente divino
É o Alcorão da harmonia
É sem erros ou embaraços
Tal a perfeição do Islã
Pois obrigado meu Deus
Por todas nossas manhãs
Bom Profeta Mohammed
Salalahu Alaihe Wa Ahi Baitehi Wa Salam
